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Os desafios da comunicação no Terceiro Setor

4 out

As organizações do Terceiro Setor têm ganhado cada vez mais destaque na sociedade e espaço na mídia. Entretanto, têm seu poder de ação e de mobilização limitados pela falta de uma estrutura de comunicação profissionalizada.

Este cenário começa a mudar, porque algumas entidades já perceberam a necessidade da implantação de uma comunicação estratégica para estabelecerem relações com seus diversos públicos, ganharem credibilidade e poderem se tornar mais atuantes junto à sociedade. Do mesmo modo, crescem as discussões de que o Terceiro Setor é um mercado promissor para os profissionais de comunicação. O problema é saber se este profissional está preparado para esse nicho e quais são os desafios enfrentados por ele.

Perfil do profissional

Os profissionais de comunicação que trabalham nessas organizações enfrentam a falta de recursos financeiros para o desenvolvimento de projetos de comunicação e a falta de uma formação humanística que o permita entender o outro. Com isso, é preciso que o comunicador seja aberto ao diálogo e use a criatividade, faça experimentações, tenha motivação e um olhar atento para perceber tendências, demandas e desenvolver um bom trabalho na organização para a qual trabalha.

Com o desenvolvimento do Terceiro Setor, percebe-se a necessidade de uma comunicação eficaz, pois esta é importante e garante a divulgação da organização e do trabalho realizado por ela, consolida uma imagem junto à comunidade e cria um relacionamento com seus diferentes públicos. Além disso, no caso das organizações não-governamentais (ONGs) é uma forma de mobilizar as pessoas para participarem de uma causa, bem como prestar contas de suas atividades, demonstrando transparência e ética.

Comunicação mobilizadora

O envolvimento das pessoas que trabalham nas ONGs é muito importante para a construção da identidade corporativa e de uma imagem. Afinal, uma imagem bem trabalhada e difundida, pode atrair mais parcerias, voluntários, doações e, é claro, credibilidade. Mas para isso, é preciso se voltar para o público interno da instituição, perceber como esta é vista por seus funcionários e voluntários e desenvolver um trabalho de conscientização junto a eles. Além da mobilização interna, é preciso se levar em conta a relação com o público beneficiado, doadores e parceiros da instituição para reforçar o vínculo e proporcionar a continuidade das ações da ONG.

O próximo passo seria estabelecer uma relação profissional com a mídia, gerando interesse público e atendendo aos veículos, de acordo com suas características e prazos (imprensa, rádio, TV, Internet).  Esse relacionamento criado pelo comunicador pode fazer da ONG uma constante fonte em sua área de atuação.

Outro ponto importante é o uso da Internet, permitindo às organizações formular estratégias, trocar experiências e lutar por mudanças sociais concretas. Por isso, uma eficiente ferramenta é construção de um site da organização, que deve ser mantido constantemente atualizado com notícias e que contenha o histórico da instituição, sua missão e valores, parceiros e prestações de contas e não se esquecer das mídias sociais que estão em alta e podem ser um excelente canal para estreitar relações, mobilizar o público e conseguir financiamento para a causa.

Há sempre diferentes maneiras de se pensar e fazer comunicação, mas o profissional deve analisar o ambiente em que se encontra, sentir as tendências e tentar novas ferramentas ou ações de comunicação, pois não há uma única forma estabelecida para a comunicação no Terceiro Setor.

Este artigo foi publicado primeiramente no Portal Comunifoco, onde sou colunista.
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